Sistema de Colheita
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Contexto legal

Na Amazônia

A legislação brasileira diferencia dois tipo de manejo na Amazônia: o pleno e o de baixo impacto. A exploração plena é definida quando a extração é realizada por máquinas de arraste. As principais características do manejo pleno são:

  • Diâmetro mínimo de corte de 50 cm (antigamente era 45 cm).
  • Taxa de crescimento da floresta: 0,86 m³/ha
  • Ciclo de corte: entre 25 e 35 anos.
  • Exploração máxima: 30 m³/ha.
  • Manutenção de árvores por espécie: 10%.
  • Mínimo de indivíduos por espécie: 3 para cada 100 ha.
  • Número de árvores remanescente por espécie com DMC: 3.

No manejo de baixo impacto, geralmente associado ao manejo conduzido por comunidades, as principais características são:

  • Diâmetro mínimo de corte de 50 cm (antigamente era 45 cm).
  • Taxa de crescimento da floresta: 1 m³/ha
  • Ciclo de corte: entre 10 anos.
  • Exploração máxima: 10 m³/ha.
  • Manutenção de árvores por espécie: 10%.
  • Mínimo de indivíduos por espécie: 3 para cada 100 ha.
  • Número de árvores remanescente por espécie com DMC: 3.

No Cerrado

Já para o cerrado mineiro, o IEF estabelece os seguintes critérios para a exploração do Cerrado:

  • Exploração máxima: 50\% da área basal por classe diamétrica por espécie.
  • Diâmetro mínimo de corte: 5 cm.
  • Não pode haver abertura de clareira.

Determinação da intensidade de exploração

Método BDq

o nome do método vem de B - área basal remanescente, D de diâmetro máximo
desejado e do q - quociente de Liocourt.

Liocourt apresentou o conceito de que numa floresta equilibrada, o número de árvores em sucessivas classes diamétricas decresce numa progressão geométrica constante (= razão q constante)!

(1)
\begin{equation} q_1 = q_2 = ... = q_{j-1} \end{equation}

sendo que:

(2)
\begin{align} q_j = \frac{N_j}{N_{j+1}} \end{align}
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Figura. Exemplo do calculo do quociente de Liocourt para uma distribuição diamétrica. Fonte: Eric Gorgens

Método BDq é também conhecido como: controle pela classe diamétrica. Seu objetivo é manejar a área direcionando a distribuição diamétrica à uma razão q ideal e constante.

Passo a passo do método BDq:

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Figura. Exemplo de cálculo do passo a passo para calcular a distribuição ideal pelo método BDq. Fonte: Eric Gorgens

Segundo o método BDq, o manejador deve orientar as prescrições de colheita e silvicultura para transformar a distribuição diamétrica atual na distribuição diamétrica ideal. A recomendação de exploração deve respeitar os limites e imposições legais!

Determinação do ciclo de corte

Métodos baseados em volume são:

Método Mexicano

(3)
\begin{equation} V_n = V_0(1+ i)^t \end{equation}

Em que:

$V_0 =$ Estoque remanescente em m³/ha.

$V_n =$ Estoque alvo em m³/ha.

$i =$ taxa de crescimento anual, sendo que: $i = \frac{IMA}{V_0}$, ou $i = \frac{IMA}{V_n}$, ou $i = \frac{IMA}{\frac{V_0 + V_n}{2}}$.

$t =$ ciclo de corte em anos.

Método de amortização de Meyer

(4)
\begin{align} V_n = V_0(1 + i_t)^{cc} - VCA(\frac{(1 + i_c)^{cc} - 1}{i_c}) \end{align}

Em que:

$V_0 =$ Estoque remanescente em m³/ha.

$V_n =$ Estoque alvo em m³/ha.

$i_c =$ taxa de crescimento anual das árvores comerciais.

$i_t =$ taxa de crescimento anual da floresta.

$cc =$ ciclo de corte em anos.

$VCA =$ volume de corte anual em $m³/ha.

Método baseado em probabilidade:

Cadeia de Markov

Cadeia de Markov é um caso particular de processo estocástico com estados discretos e que apresenta a propriedade Markoviana em que a distribuição de probabilidade do próximo estado depende apenas do estado atual e não na sequência de eventos que precederam.

Probabilidade de transição é a probabilidade de um processo atingir um estado futuro específico dado o seu estado corrente.

(5)
\begin{align} P_{ij} = \frac{n_{ij}}{n_i} \end{align}

Em que:

$P_{ij} =$ probabilidade de transição.

$n_{ij} =$ número de indivíduos do estado i que passaram para o estado j, durante o tempo t.

$n_{i} =$ número de indivíduos no estado i.

Passo a passo para aplicar cadeia de Markov:

  1. Ter um inventário contínuo distanciado de um período t.
  2. Calcular a matriz de mudança para o período t.
  3. Calcular a matriz de transição para o período t.
  4. Calcular o número de ingressos para o período t.
  5. Calcular a distribuição diamétrica para t+1 e adicionar o número de ingressante.
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Figura. Construção da matriz de mudança. Nas colunas observa-se os centros de classe no tempo t e nas linhas os centros de classes no tempo t+1. Fonte: Eric Gorgens

A matriz de transição é construída calculando as probabilidade de mudança ou não de classe, utilizando os valores de frequência da matriz de mudança:

\begin{table}[H]
\centering
\caption{Cálculos para computar a matriz de transição. Fonte: Autor.}
\begin{adjustbox}{max width=\textwidth}
\begin{tabular}{|c|c|c|c|c|}
\hline
& 7,5 & 12,5 & … & DMC \\ \hline
7,5 & $P_{7,5|7,5}$ & & & \\ \hline
12,5 & $P_{7,5|12,5}$ & $P_{12,5|12,5}$ & & \\ \hline
… & & $P_{12,5|17,5}$ & & \\ \hline
DMC & & & $P_{47,5|DMC}$ & $P_{DMC|DMC}$ \\ \hline
M & $P_{7,5|M}$ & $P_{12,5|M}$ & $P_{…|M}$ & $P_{DMC|M}$ \\ \hline
\end{tabular}
\end{adjustbox}
\end{table}

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Figura. Construção da matriz de transição. Nas colunas observa-se os centros de classe no tempo t e nas linhas os centros de classes no tempo t+1. Fonte: Eric Gorgens

Conhecendo a matriz de transição (para um determinado intervalo de tempo) e a situação atual da distribuição diamétrica, é possível saber como será a distribuição diamétrica num futuro ($f = n * t$).

(6)
\begin{equation} P_f = P_0 * P^n \end{equation}

Método baseado no crescimento

Tempo de passagem

O tempo de passagem se baseia no tempo médio que uma árvore leva para passar por uma classe de diâmetro. Este tempo depende do incremento em diâmetro relacionado à classe analisada.

Passo a passo para calcular o tempo de passagem:

  1. Realizar um inventário contínuo distanciado de um período t.
  2. Calcular o incremento diamétrico de cada uma das árvores inventariadas: $INC_i = \frac{DAP_{i2} - DAP_{i1}}{t_2 - t_1}$.
  3. Calcular o incremento diamétrico médio de cada uma das classes de diâmetro: $INC_j = \frac{\sum_{i = 1}^{N_j} INC_i}{N_j}$
  4. Calcular o tempo de passagem em cada classe diamétrica: $TP_j = \frac{IC}{INC_j}$
  5. Ajustar uma regressão para normalizar o tempo de passagem: $TP_j=\alpha+\beta D_j$
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Figura. Exemplo do passo 2 do cálculo do tempo de passagem. Fonte: Eric Gorgens

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Figura. Exemplo dos passos 3 e 4 do cálculo do tempo de passagem. Fonte: Eric Gorgens

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Figura. Exemplo do passo 5 do cálculo do tempo de passagem. Fonte: Eric Gorgens

Prescrição do sistema de exploração

Tipos de Manejo:

  • Monocíclico: neste sistema, a retirada da madeira comercial se dá de uma só vez, e a próxima colheita é baseada nas mudas das espécies comerciais existentes no momento do primeiro corte.
  • Policíclico: neste sistema, uma parte ou todas as árvores comerciais que atingiram o tamanho de corte são retiradas. As árvores de tamanho intermediário que permanecem na floresta passam a constituir o estoque remanescente para o próximo corte.

Desenhos de diferentes sistemas:

  • Sistema de corte raso: o dossel superior é totalmente removido em uma só colheita. A floresta se regenera naturalmente.
  • Sistema de rebrota: uma variação do sistema de corte raso, no qual a regeneração se sustenta na rebrota vegetativa dos troncos e raízes remanescentes da colheita.
  • Sistema de árvore sementeira: a unidade florestal é manejada seguindo o princípio do manejo por corte raso. No entanto, árvores selecionadas para o suprimento de sementes não são cortadas e fornecerão sementes para a regeneração natural.
  • Sistema de abrigo: Árvores do dossel superior são deixadas no sítio para proteger a regeneração do dossel inferior, até que este não necessite mais de proteção.
  • Sistema de seleção: Árvores maduras são colhidas em intervalos pequenos, repetidos indefinidamente. A regeneração ocorre através de pulsos regenerativos após cada uma das entradas de corte.
  • Sistema de retenção ou em faixas: Neste sistema, grupos de árvores são mantidos para manter as características estruturais ao longo de uma rotação. Deixa pelo menos metade da área com a altura de um indivíduos base.
  • Sistema de corte de talhões: O sistema envolve o corte raso de áreas menores que 1 hectare dentro da floresta a ser manejada, visando promover a regeneração natural destas pequenas aberturas. As pequenas aberturas são manejadas como povoamentos independentes.

Macroplanejamento

O microplanejamento, além de permitir um maior domínio da produção, é ferramenta para intervenções no projeto, no macroplanejamento, na sequência de execução, na organização da mão-de-obra, junto aos fornecedores e na logística do EMF, tudo com a finalidade de atuar proativamente na gestão na produção. O primeiro nível de organização consiste na delimitação das unidades de produção anual (UPA):

  • Priorizar as dividas naturais (ex: cursos d'água, estradas, cumes, vales, etc).
  • Buscar a formação de unidade equiprodutivas.
  • Considerar distribuição de estradas e acessibilidade.

O segundo nível de organização é a demarcação das unidades de trabalho (UT). Geralmente as unidades de trabalho possuem formato de transectos, com cerca de 50 metros de largura. Uma vez que se tenha a divisão do EMF em UPA e em UT, chegou o momento de alocar as estradas e pátios. As estradas deverão ser classificadas e planejadas como:

  • Estradas de acesso.
  • Estradas primárias.
  • Estradas secundárias.
  • Estradas terciárias.
  • Ramais.

As estradas de acesso e primárias devem ser acessíveis durante todo o ano, mesmo em período de chuva.

Os pátios serão classificados como:

  • Pátio da UT.
  • Pátio da UPA.
  • Pátio de baldeio.
  • Pátio intermediário.

Os pátios de baldeio e intermediário devem ser acessíveis durante todo o ano, inclusive no período de chuva.

Anualmente, o empreendimento deve submeter o Plano de Operação Anual (POA) ao órgão fiscalizador. Após a análise, o órgão emitirá a Autorização de Exploração (AUTEX). Com base na AUTEX, o empreendimento poderá emitir o Documento de Origem Florestal (DOF) que deve acompanhar qualquer movimentação da madeira.

O microplanejamento é a etapa para viabilizar as operações do Manejo florestal, realizando-se o planejamento visando a UPA, onde através dele é estimado recursos humanos, produção, maquinário e investimentos para o esse período de 1 ano. Ele depende muito das atividades e informações geradas pré-exploração. Como um exemplo de um tipo de informação obtida pelo microplanejamento, temos o mapa de estoque, mostrado a seguir de forma bem simplificada.

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Técnica de colheita

Atividades de pré-colheita:

  1. Realizar inventário 100\%.
  2. Definir o plano de operação anual.
  3. Instalar o inventário contínuo.

Atividades de colheita:

  1. Corte.
  2. Traçamento.
  3. Baldeio.
  4. Transporte.

Determinar as técnicas mais adequadas e de menor impacto para:

  • Abate direcional.
  • Traçamento.
  • Arraste.

Em geral, as atividades da colheita florestal vai envolver essas três etapas, dependendo do
tipo de operação e método a ser utilizado em cada uma das fases, sendo eles:

Fases da colheita:

*Corte florestal;
*Extração;
*Carregamento da madeira;
*Transporte principal;
*Descarregamento da madeira.

Operações de Corte Florestal

*Abate ou derrubada;
*Desgalhamento;
*Descascamento;
*Traçamento;
*Destopamento;
*Pré-extração.

Métodos:

*Manual: a operação é realizada com utilização da força física e equipamentos não motorizados.
*Animal: a operação é realizada por meio da força animal, com ou sem auxilio de equipamentos
*Semimecanizado: a operação é realizada com meios mecânicos em conjunto com esforços físicos do trabalhador.
*Mecanizado: a operação é realizada com o uso de máquinas (autopropelidas) de modo automatizado.

Vídeos complementares

O vídeo abaixo (Florestabilidade - Programa 5: Atividades Exploratórias do Manejo Madeireiro) é um relato de operadores de motosserra e demais pessoas que dependem do manejo florestal sustentável. Trata também da importância do planejamento antes da derrubada da árvore, testes antes do corte como o “teste do oco”, dos equipamentos de proteção individual e da diminuição dos acidentes de trabalho.

Atividades pós-colheita:

  • Remedição das parcelas do inventário contínuo e atualizar o programa de manejo.
  • Avaliação dos impactos ambientais.
  • Aplicação dos tratos silviculturais.

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