Uso da terra

O desenvolvimento e industrialização de um país tem num primeiro momento um impacto significativo na cobertura florestal. A remoção da vegetação não está somente ligada à simples conversão do uso do solo, mas também ao uso da madeira e à liberação do acesso aos reservatórios minerais do subsolo. Com a maturidade social, as florestas vão recebendo maior atenção da sociedade e passam com o tempo a ser associadas a outras externalidades que vão além da concepção desenvolvimentista. Nesta etapa, ocorre uma diminuição dos desmatamentos e a recuperação de parte da área anteriormente convertida.

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Evolução da cobertura florestal com o tempo de desenvolvimento de uma sociedade. Fonte: https://images.slideplayer.com.br/33/10156186/slides/slide_5.jpg

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Ocupação e uso do solo no Brasil. Fonte: http://4.bp.blogspot.com/

A maior parte das terras brasileiras ainda são cobertas por florestas, em diferentes estados de preservação. Em seguida, o uso do solo mais significativo são as pastagens e a agricultura. Mas ter florestas é abdicar da produção agrícola?

Análise de paisagem

A definição das Unidades de Paisagem permite determinar as potencialidades, limitações e aptidões para usos e ocupações múltiplos. Parte-se do princípio de que o meio físico condiciona as diversas modalidades de usos e ocupações dentro dos paradigmas da sustentabilidade e das possibilidades de intervenções para prevenção, mitigação e correção de problemas ambientais, decorrentes da inobservância da capacidade de uso específica de cada unidade.

A metodologia adotada para a identificação das Unidades de Paisagem da sub-bacia foi desenvolvida pela EMATER e consiste na integração e no estabelecimento de correlações entre as seguintes variáveis ambientais: geologia, relevo e solo. Considera-se a paisagem, dentro de cada especificidade local, como uma síntese dos componentes do meio físico (geologia, relevo e solos) e integrações com o meio biótico (vegetação nativa) e meio socioeconômico (atividades antrópicas).

Brevemente, o roteiro metodológico para construção das unidades de paisagem é composto por três fases:

  • Espacialização e compartimentalização das Unidades de paisagem por meio do uso de imagens SRTM e do cruzamento de dados de geologia, solo, hidrografia e vegetação;
  • Correlações, em campo, das unidades de paisagem pré-determinadas com materiais geológicos e pedológicos;
  • Identificação, para cada UP, das potencialidades, limitações, fragilidades e aptidões para fins múltiplos.

Afloramentos de Quartzito

Potencialidade:

  • Beleza cênica.
  • Sítios de biodiversidade e geodiversidade.
  • Aquíferos fraturados.

Limitações:

  • Acessibilidade.
  • Relevo acidentado.
  • Solos com baixa fertilidade.

Aptidões:

  • Pesquisas científicas.
  • Ecoturismo.
  • Extrativismo sustentável.

Vertentes ravinadas

Potencialidade:

  • Recursos hídricos superficiais decorrentes de surgência de aquíferos.
  • Preservação ambiental e uso recreativo.
  • Agriculturas sazonais e perenes no contato com Complexo Côncavo-Convexo e Terraços e Planícies Fluviais.

Limitações:

  • Solos das vertentes pouco desenvolvidos e instáveis, normalmente de baixa fertilidade.
  • Declividade acentuadas acima de 45%.

Aptidões:

  • APP’s (nascentes e áreas com declividade superior 45º).
  • Pastagem.
  • Extrativismo vegetal (coleta) nas áreas com vegetação nativa.
  • Barramentos para aproveitamento das águas pluviais.

Vertentes Côncavas e Convexas

Potencialidades:

  • Recursos hídricos superficiais abundantes.
  • Em contato com outras UP: APP’s nascentes.
  • Agriculturas sazonais e perenes quanto em contato com Terraços e Planícies Fluviais.

Limitações:

  • Relevo acidentado.
  • Solos rasos e suscetibilidade à erosão (Laminar e Sulco).
  • Solos com baixa fertilidade podendo ocorrer Cambissolos com fertilidade média.
  • Não é recomendado o cultivo de culturas anuais.

Aptidões:

  • APPs em contato com Superfícies Tabulares, Vertentes Ravinadas e Colinas de Topo Alongado.
  • Área de recarga de aquífero.
  • Em relevo suave, culturas permanentes e sazonais, Apicultura, Pastagens, silvicultura, fruticultura arbórea, cafeicultura.

Superfícies tabulares

Potencialidades:

  • Solo profundo, permeável, com aquíferos alçados devido à presença de horizontes lateríticos.
  • Relevo plano que permite mecanização.
  • Pesquisa científica.
  • Recarga da bacia.

Limitações:

  • Solos com baixa fertilidade, elevada acidez.
  • Escassez de recurso hídrico superficial.

Aptidões:

  • Extrativismo vegetal e pecuária extensiva (usos tradicionais).
  • Apicultura, culturas permanentes, silvicultura, fruticultura arbórea, cafeicultura.

Rebordos de chapada

Potencialidades:

  • Refúgio de fauna silvestre.
  • Ocorrência de nascentes.

Limitações:

  • Alta vulnerabilidade ambiental.
  • Relevo acidentado.
  • Solos rasos.

Aptidões:

  • Área de preservação.

Terraços e Planícies Fluviais

Potencialidades:

  • Recurso hídrico superficial disponível.
  • Relevo plano (planície) e, ou pouco declivoso (terraços).

Limitações:

  • Planícies susceptíveis a inundações periódicas e encharcamento dos solos.
  • Redução de vegetação ciliar para uso e ocupação da terra.

Aptidões:

  • Solos férteis para culturas anuais de entressafra.
  • Preservação de nascentes difusas.
  • Agropecuária e expansão urbana.
  • Áreas aptas a APP (vegetação ciliar).

Rampas de Colúvio

Potencialidades:

  • Solos profundos.
  • Mecanização agrícola.

Limitações:

  • Solos de baixa fertilidade susceptíveis à compactação por uso de máquinas ou pisoteio de animais.
  • Fisiografia com alta susceptibilidade de processos de erosão pluvial (laminar e sulco).
  • Morfogênese vinculada a movimentos gravitacionais.

Aptidões:

  • Agropecuária.
  • Culturas anuais.
  • Pastagens, silvicultura, fruticultura e capineiras sob sistemas de controle de erosão.

Vales Encaixados

Potencialidades:

  • Tributários em planos de fratura dos quartzitos (nascentes).

Limitações:

  • Relevo fortemente acidentado.
  • Difícil acesso.
  • Declividade acentuada (45 a 75%).
  • Solos com baixa fertilidade.

Aptidões:

  • Áreas de proteção permanente do tipo nascentes e curso d’água.
  • Beleza Cênica.
  • Turismo ecológico.

Colinas de Topo Alongado

Potencialidades:

  • Relevo suave.
  • Solos profundos.
  • Áreas de Recarga.

Limitações:

  • Uso limitado por ser topo de morro (Código Florestal).
  • Predisposição a processos erosivos em áreas de Argissolos.
  • Solos com baixa fertilidade.

Aptidões:

  • Áreas de preservação permanente do tipo Topo de Morro.
  • Manutenção de vegetação nativa (Floresta Estacional Semi-Decidual).
  • Apicultura, culturas permanentes, pastagens, silvicultura, fruticultura arbórea, cafeicultura.
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