Bioma, Vegetação e Fisionomia

Bioma é um sistema para classificar as comunidades biológicas e ecossistemas com base em semelhanças de suas características vegetais e animais.

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Fonte: wikipedia.

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O Brasil possui 6 biomas:

Bioma % do país % preservado
Amazônico 48 85
Cerrado 24 45
Caatinga 10 30
Mata Atlântica 13 7
Pantanal 1,7 90
Pampa 2 10

Vegetação equivale a todas as espécies de plantas numa região, incluindo o padrão de como todas as espécies estão espacialmente e temporalmente distribuídas.

Fisionomia é a combinação da aparência externa e da estrutura vertical incluindo arquitetura de copa e forma de vida dos indivíduos vegetais dominantes.

Tipologias florestais brasileiras

O Serviço Florestal Brasileiro cita as seguintes tipologias florestais:

  • Florestal Ombrófila: significa floresta "amiga das chuvas", o mesmo que pluvial de origem latina, e caracteriza uma formação vegetal cujo desenvolvimento depende de regime de águas pluviais abundantes e constantes.
  • Floresta Ombrófila Densa: também conhecida como florestal pluvial tropical; possui uma vegetação densa em todos os estratos (arbóreo, arbustivo, herbáceo e lianas); ocorre em regiões dos biomas Amazônia e zona costeira da Mata Atlântica onde o período biologicamente seco é praticamente inexistente.
  • Floresta Ombrófila Aberta: é uma variação da floresta ombrófila densa, sendo uma formação florestal mais aberta, onde comumentemente observam-se combinações de espécies particulares em associações (fasciações ou fascies); ocorre nas regiões de transição entre o bioma Amazônico e as áreas vizinhas com mais dias secos do que nas regiões onde ocorre Floresta Ombrófila Densa.
  • Floresta Ombrófila Mista: caracteriza-se como uma floresta ombrófila, porém com predomínio da espécie Araucaria angustifolia, e por isso é também conhecida como Mata de Araucária; ocorre no Planalto Meridional (sul do Brasil), onde as chuvas são regularmente distribuídas ao longo do ano e as temperaturas são mais baixas em relação às outras regiões com formações ombrófilas.
  • Floresta Estacional Semidecidual: é também denominada Floresta Tropical Subcaducifólia. Apresenta vegetação condicionada pela dupla estacionalidade climática: uma tropical com época de intensas chuvas de verão, seguida por estiagem acentuada e outra subtropical sem período seco, mas com seca fisiológica provocada pelo intenso frio do inverno, quando parte da vegetação perde suas folhas. Ocorre em várias regiões do Brasil.
  • Floresta Estacional Decidual: é também denominada Floresta Tropical Caducifólia. Sua vegetação caracteriza-se por duas estações climáticas bem demarcadas: uma chuvosa seguida de outro longo período biologicamente seco, onde a maior parte das espécies perde suas folhas. Ocorre em várias regiões do Brasil.
  • Campinarana: significa "falso campo"; caracteriza-se por vegetação lenhosa aberta dos pântanos com umidade. Ocorre na Amazônia.
  • Savana: é sinônimo de Cerrado; caracteriza-se por vegetação xeromorfa (adaptada a regiões com pouca água) que ocorre preferencialmente em regiões de clima estacional, podendo ocorrer também em clima ombrófilo. Caracteriza-se por árvores baixas e arbustos espaçados, associados a gramíneas e geralmente apresentam troncos e ramos acentuadamente tortuosos e acinzentados. Ocorre no Planalto Central Brasileiro e em certas áreas da Amazônia e do Nordeste, em terreno geralmente plano.
  • Savana Estépica: o termo designa formações vegetais como a Caatinga, Campos de Roraima, Chaco Sul-Mato-Grossense e Parque de Espinilho da Barra do Rio Quaraí (RS); vegetação tropical de características estépicas (vide Estepe). Ocorre em regiões com clima que se caracteriza por dupla estacionalidade.
  • Estepe: vegetação submetida a dupla estacionalidade, uma fisiológica, provocada pelo frio das frentes polares e outra seca, mais curta, com déficit hídrico; apresenta composição florística gramíneo-lenhosa. Ocorre em regiões próximas aos pólos ou regiões que apresentem homologia ecológica, como no extremo sul do Brasil, correspondendo às Campanhas Gaúchas e Campos Gerais Planálticos.
  • Formações Pioneiras: vegetação de primeira ocupação em solos anteriormente sem vegetação alguma, causada por processos naturais.
  • Subformação Aluvial: não varia topograficamente, apresentando sempre ambientes repetitivos nos terraços aluviais dos flúvios (margens dos cursos d'água).
  • Subformação Terras baixas: ocorre geralmente em planícies costeiras, altitude variando de 5 a 100m.
  • Subformação Submontana: situada nas encostas dos planaltos e/ou serras.
  • Subformação Montana: situada nas encostas dos planaltos e/ou serras.
  • Alto-montana: situada acima da formação Montana, cume das serras.
  • Áreas de tensão ecológica: regiões de contato entre duas ou mais tipologias vegetacionais onde as floras se interpenetram, formando comunidades indiferenciadas.
  • Refúgios Vegetacionais: também denominados "comunidades relíquias", define-se como toda e qualquer vegetação floristicamente e fisionômico-ecologicamente diferente do contexto geral da flora dominante, ocorrendo em situações especialíssimas como o caso de comunidades em altitudes acima de 1.800m.
  • Fascies: caracteriza-se por apresentar uma combinação de espécies particulares, mais ou menos casuais, dentro de uma associação.

Maiores informações podem ser obtidas no Mapa de Vegetação do IBGE.

  • O Serviço Florestal Brasileiro é uma unidade básica estrutural ligada aos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de acordo com as modificações promovidas artigo 22,VI da Medida Provisória nº 870/2019.
  • Sendo assim, uma das responsabilidades dessa unidade é produzir informações sobre os recursos florestais brasileiro. Uma dessas ferramentas é o Inventário Florestal Nacional o qual é melhor explicado no vídeo abaixo.

Biomas

Amazônico

*O bioma amazônico, chega a ocupar uma área de 4.196.943 Km², que corresponde mais de 40% do território nacional e é constituído principalmente por floresta tropical. A Amazônia passa pelos territórios do Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, e parte do território do Maranhão, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins. Este bioma é formado por distintos ecossistemas como florestas densas de terra firme, florestas estacionais, florestas de igapó, campos alagados, várzeas, savanas, refúgios montanhosos e formações pioneiras.
Mesmo sendo o nosso bioma mais preservado, cerca de 16% de sua área já foi devastada, o que equivale a duas vezes e meia a área do estado de São Paulo.

*O desmatamento, as queimadas, a garimpagem, o agropastoreio e a biopirataria representam os principais problemas ambientais enfrentados pelo bioma amazônico. O conjunto formado por essas ações devastadoras é responsável por graves mudanças climáticas em todo o planeta, como o aquecimento global.

* A Amazônia é considerada um grande “resfriador” atmosférico e como maior abrigo da biodiversidade do mundo, algumas pesquisas indicam que na Amazônia existem cerca de trinta milhões de espécies animais.

Fonte: Instituto Brasileiro de florestas- IBF

Cerrado

O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, perdendo apenas para o bioma Amazônico. Ele está presente em quase todas as regiões brasileiras incluindo: nordeste, norte, centro-oeste, e sudeste.

  • Esse Bioma caracteriza-se pelas suas diferentes paisagens que vão desde o cerradão (Sensu lato) com árvores altas, maior densidade e composições distintas, passando pelo cerrado comum (Sensu estricto) com árvores baixas e esparsas até o campo cerrado,campo sujo e campo limpo com progressiva redução da densidade arbustiva. Ao longo dos rios existem fisionomias florestais conhecidas como matas de galeria ou matas ciliares.
  • O Cerrado é considerado o berço das águas brasileiras, sendo cortado pelas três das principais bacias hidrográficas da America do Sul (Tocantins, São Francisco e Prata).

*O Cerrado é uma das regiões de maior biodiversidade do planeta cobrindo aproximadamente uma área de 200 milhões de hectares,ou seja, 25% do território nacional(ARNS;ALVES,2007).
Tal situação,somado ao fato de que muitas espécies são endêmicas desse tipo de formação vegetal, fez com que esse importante Bioma fosse incluído na lista de hotsposts, sendo uma das regiões prioritárias para conservação da biodiversidade.

*No entanto o Cerrado já perdeu metade de sua formação original para plantios como soja,algodão e cana-de-açúcar,pecuária extensiva,geração de energia e urbanização.
O quadro abaixo mostra a evolução do desflorestamento desse importante Bioma brasileiro entre os anos de 2014 e 2018.

Ano Área desmatada (km²)
2014 10.761
2015 11.881
2016 6.777
2017 7.474
2018 6.657
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Fonte: google imagens

  • O mapa a seguir nos dá uma ideia visual da evolução do desflorestamento do Bioma cerrado ao longo dos anos.
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Fonte:INPE

  • Você sabia que o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) lançou o Deter Cerrado?

Essa plataforma permite acompanhar em tempo real o a evolução do desflorestamento nos vários estados de ocorrência desse Bioma.

Basta acessar:terrabralis.dpi.inpe.br

  • De pé o Cerrado Vale mais! confira abaixo um vídeo produzido pela WWF BRASIL em comemoração ao dia Nacional do Cerrado (11 de Setembro), ressaltando as riquezas naturais desse ecossistema.

  • Uma das principais ameaças a essa exuberância de riquezas naturais é o avanço indiscriminado da fronteira agrícola sobre o Cerrado em especial a cultura da soja. Como mostrado no gráfico abaixo.
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  • Não existem Leis específicas para o desmatamento no Cerrado, toda lei existente se baseia na Lei da Mata Atlântica. Porém o simples fato do cumprimento da lei não garante a sobrevivência do Cerrado. Um ponto importante a ser observado é que nesse Bioma é permitido desmatar legalmente até 80% da propriedade.

Caatinga


Vídeo descritivo sobre o bioma da Caatinga. Realizado por alunos da Biologia (USP) para a disciplina 0410301 - Diversificação e Biogeografia da Biota Neotropical.

A caatinga equivale a 11% do território nacional brasileiro, em uma área com cerca de 844.453 km². Estão presentes nos estados Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais. Considerado rico em biodiversidade, abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 abelhas. A biodiversidade da caatinga ampara diversas atividades econômicas voltadas para fins agrosilvopastoris e industriais, especialmente nos ramos farmacêutico, de cosméticos, químico e de alimentos. (Site: MMA)

No entanto, o bioma tem sido desmatado principalmente nos últimos anos de forma acelerada, devido a busca de produtos ao consumo de lenha nativa, explorada de forma ilegal e insustentável, para fins domésticos e indústrias, ao sobre pastoreio e a conversão para pastagens e agricultura. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o desmatamento desse bioma já está na faixa de 46%, e com esse número o governo busca a criação de unidades de conservação federais e estaduais no bioma, afim de promover alternativas para o uso sustentável da sua biodiversidade. (Site: MMA)


O Terra Negra foi até o núcleo da Caatinga em Salgueiro, PE. para mostrar toda a biodiversidade existente nesse bioma fantástico.

Pantanal


WWF-Brasil - O Pantanal é a maior área úmida continental do planeta e berço de uma rica biodiversidade. O vídeo mostra um pouco da beleza deste importante bioma.

O bioma Pantanal corresponde por 76% da área total do território brasileiro, é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. Segundo o IBGE a sua área aproximada é 150.355 km².

Segundo a Embrapa Pantanal, estima-se quase 2000 espécies de plantas identificadas no bioma, 325 peixes, 53 anfíbios, 98 répteis, 656 aves e 159 mamíferos. Muitas espécies ameaçadas em outras regiões do Brasil persistem em populações avantajadas na região.

Este bioma vem sofrendo ação antrópica mesmo apresentando grande encanto natural. A principal forma de impacto gerado nesse bioma é a agropecuária que tem grandes proporções nas áreas de planalto adjacentes. De acordo com o Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros por Satélite – PMDBBS, realizado com imagens de satélite de 2009, o bioma Pantanal mantêm 83,07% de sua cobertura vegetal nativa.

Apesar do bioma Pantanal manter 83,07% de sua cobertura natural, a atividade agropecuária vem causando impactos na composição da vegetação nativa de acordo com o Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros por Satélite – PMDBBS, realizado com imagens de satélite de 2009. Apenas 4,6% do Pantanal encontram-se protegidos por unidades de conservação, dos quais 2,9% correspondem a UCs de proteção integral e 1,7% a UCs de uso sustentável (BRASIL, 2015).

Caracterização do bioma Pantanal

Caracterização do bioma Pantanal Área (Milhões de ha) %
Vegetação Remanescente 12,58 83,14
Área ocupada (Ações Antrópicas) 2,30 15,18
Água 0,25 1,68
Total 15,13 100

Fonte: http://siscom.ibama.gov.br/monitorabiomas/pantanal/pantanal.htm

Mata Atlântica

O Bioma Mata Atlântica é composta por formações florestais nativas como:

  • Floresta Ombrófila Densa;
  • Floresta Ombrófila Mista, também denominada de Mata de Araucárias;
  • Floresta Ombrófila Aberta; Floresta Estacional Semidecidual;
  • Floresta Estacional Decidual.

Também é formado por Ecossistemas associados sendo eles:

  • Manguezais;
  • Vegetação de restingas;
  • Campos de altitude;
  • Brejos interioranos;
  • Encraves florestais do Nordeste.

O Bioma Mata Atlântica abrange mais de 1,3 milhões de km² em 17 estados do território brasileiro, estendendo-se por grande parte da costa do país, devido à ocupação as ações antrópicas região, hoje restam cerca de 29% de sua cobertura original.
Estima-se que existam na Mata Atlântica cerca de 20 mil espécies vegetais, incluindo diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.

Devido o histórico de desmatamento da Mata Atlântica torna-se fundamental a conservação dos remanescentes e a recuperação da sua vegetação nativa, com a criação de áreas protegidas, como Unidades de Conservação (SNUC – Lei nº 9.985/2000) e Terras Indígenas (Estatuto do Índio – Lei nº 6001/1973), além de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal (Código Florestal – Lei nº 12.651/2012). O bioma também é protegido pela Lei nº 11.428/2006, conhecida como Lei da Mata Atlântica, regulamentada pelo Decreto nº 6.660/2008.
(Site: MMA)

Após três anos de aumento, o desmatamento na Mata Atlântica diminuiu 56% entre 2016 e 2017, segundo o monitoramento realizado pelo INPE e pela Fundação SOS Mata Atlântica.
(Site: SOS MATA ATLÂNTICA)

Mapa do Desmatamento na Mata Atlântica

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Caracterização do Bioma Mata Atlântica

Caracterização do bioma Atlântica Área (Milhões de ha) %
Vegetação Remanescente 24,56 22,25
Área ocupada (Ações Antrópicas) 83,77 75,88
Água 2,06 1,87
Total 110,40 100

Fonte: http://siscom.ibama.gov.br/monitorabiomas/mataatlantica/index.htm

Pampa

O Bioma Pampa abrange uma área de 176.496 km², ocorrendo apenas no estado do Rio Grande do Sul (IBGE, 2004). Isto corresponde a 63% do território estadual e a 2,07% do território brasileiro.

As paisagens naturais do Pampa são variadas, de serras a planícies, de morros rupestres e coxilhas, além dos campos nativos também e composto por matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados, afloramentos rochosos, etc.

O Pampa apresenta uma grande biodiversidade de flora e fauna próprias, com estimativas de 3000 espécies descritas de plantas, com notável diversidade de gramíneas sendo estimada mais de 450 espécies.

Segundo o CSR/IBAMA em 2002 a vegetação nativa do bioma Pampa representava 41,32% e em 2008 restavam apenas 36,03%, devido a introdução de espécies exóticas de gramíneas para pastagem, têm provocado uma elevada degradação e descaracterização das paisagens naturais. (Site: MMA)

Caracterização do bioma Pampa

Caracterização do bioma Pampa Área (Milhões de ha) %
Vegetação Remanescente 6,41 36,06
Área ocupada (Ações Antrópicas) 9,60 53,98
Água 1,78 9,99
Total 17,78 100,00

Fonte: http://siscom.ibama.gov.br/monitorabiomas/pampa/pampa.htm

Principais Famílias encontradas no Pampas
Asteraceae - 380 espécies
Poaceae - 373 espécies
Fabaceae - 190 espécies
Cyperaceae – 118 espécies

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